Legumes refogados com “ovo no prato” | Ratatouille

Sei que muita gente acha animação “coisa de criança”, mas vou defender minha tese por aqui por dois motivos muito simples: 1) eu realmente amo animações e 2) os desenhos – que hoje já são uma coisa completamente diferente dos antigos desenhos animados – contêm uma sabedoria implícita que, embora não seja profunda quanto os filmes cabeçudos de um Terrence Mallick ou Andrei Tarkovski, são expostas de maneira soberba quando a animação é boa.

E é exatamente o caso de Ratatouille, animação do gigante estúdio Disney Pixar, dirigido pelo talentoso Brad Bird, com roteiro original de Jan Pinkava, e lançado em 2007. A história gira em torno do rato Rémy que, apesar de viver em um esgoto com sua enorme família, tem códigos morais (jamais roube comida!) e um gosto peculiar para a culinária, sempre escolhendo a dedo suas refeições e buscando ingredientes que, na linguagem gourmetizadora de hoje, harmonizem.

Cansado de tentar convencer os familiares de que essas refeições valem mais a pena do que as comidas encontradas no lixo, Rémy foge de casa e vai encontrar inspiração no decadente restaurante fundado pelo antigo chef, Auguste Gusteau – cujo lema é “qualquer um pode cozinhar”. Lá trabalha Linguini, um funcionário enviado pelo falecido Gusteau para aprender a arte da gastronomia.

Observando Linguini alterar um prato pela janela, Rémy se desespera ao ver a combinação do jovem, e parte para consertar o estrago antes que seja tarde. Mas não só Linguini descobre o rato, como o chef Skinner – um homenzinho ambicioso e amargo – acusa Linguini de alterar a receita original de Gusteau. Mas não há mais tempo, a comida deve ser servida. E, para surpresa de todos – especialmente de Linguini –, o prato faz sucesso e cai no boca a boca, fazendo com que os olhos se voltem novamente ao restaurante e chamem a atenção do impiedoso crítico Anton Ego.

Embora seja um dos itens mais inadequados e indesejáveis de qualquer restaurante, Rémy encontra em Linguini um aliado para infiltrar-se dentro da cozinha e, assim, mostrar um pouco de sua arte. Pois se há algo que Rémy faz perfeitamente bem é cozinhar. Inspirado e ousado, o ratinho prova ao novo amigo que pode ajudá-lo a crescer dentro do restaurante.

Desesperado para ser aceito no ambiente hostil, Linguini treina com Rémy para que este possa controlar seus movimentos e “cozinhar por ele” – em uma cena absolutamente hilária. Assim, enquanto Rémy se esconde todos os dias debaixo de seu chapéu, Linguini ganha renome entre os colegas. A confusão realmente começa quando Ego anuncia que retornará ao restaurante, tantos anos após ter destruído a comida do chef Gusteau com um texto.

Engraçado, romântico e às vezes nojento (como quando mostra dezenas de ratos invadindo a cozinha para ajudar Rémy), o roteiro de Ratatouille é impecável ao traçar as características de cada personagem, suas ambições e fraquezas, bem como suas maiores aspirações. O design de produção, igualmente eficiente, pinta uma Paris dos sonhos que, em determinado momento, é capaz até mesmo de arrancar suspiros nostálgicos.

O filme também traz uma imagem fiel – ainda que muito negativa – sobre os críticos no geral, com suas manias de destruir aquilo que eles professam amar. No caso de Ego, a comida em si. Mas é justamente por amar tanto a comida que o trabalho deste crítico se torna especialmente cuidadoso: “Eu não gosto de comida, eu amo comida! E o que eu não gosto, não engulo”, diz ele, em certo momento.

Além de oferecer diversão genuína e imperdível, Ratatouille é um exercício interessante de aceitar o próximo como ele é, independentemente de sua raça, gênero, cor, opção sexual etc.

Com relação ao prato, a história é a seguinte: um dia resolvi fazer legumes refogados e temperadinhos, e acabei me dando conta de que era nada mais, nada menos, do que um prato de ratatouille, típico da região de Provença, na França. A única diferença é que não usei alho – e, honestamente, aqui não faria diferença, pois ficou muito saboroso.

Para completar, decidi quebrar três ovos e fazê-los por cima dos legumes, “ao vapor”. Um toque simples e que recomendo muito. É fácil e para toda a família (brinks. Mas é mesmo). Light na medida e gostoso como qualquer comidinha caseira deve ser 😛

LEGUMES REFOGADOS COM “OVO NO PRATO”

para 02 pessoas
Tempo de preparo: 10 minutos
Tempo de forno: 15 minutos

Tempo total: 25 minutos

Ingredientes

1 berinjela média
1 abobrinha
1 cenoura
1 tomate grande (tipo Carmen)
1 cebola
½ pimentão verde
3 ovos
pimenta verde a gosto
sal
azeite

Modo de preparo

Corte todos os legumes em cubos e reserve. Corte a cebola em pedaços pequenos, e leve para refogar com azeite até ficar transparente. Em fogo médio, acrescente os legumes que demoram mais para cozinhar (cenoura e pimentão) e tempere com um pouco de sal.

Depois, acrescente a abobrinha, a berinjela e tempere com um pouco mais de sal. Tampe a panela por 5 minutos. Quando os legumes estiverem soltando um caldinho, jogue o tomate picado e deixe refogar até parte da água secar, mas não deixe secar totalmente.

Por fim, tempere com um pouquinho de pimenta verde (usei menos de ½ colher de café) e, se fizer falta, tempere com mais sal. Quando os legumes já estiverem bem cozidos, faça três buracos – que não precisam estar perfeitamente desenhados – na panela e quebre os ovos nos buracos.

Tampe a panela até que as claras fiquem brancas. Você pode deixar os ovos mais ou menos cozidos, dependendo de sua preferência. Sirva imediatamente.

Beijos, e até o próximo post!
🙂

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