Penne tricolore al limone | Touro Indomável

No auge de sua carreira, Robert De Niro conseguiu convencer Martin Scorsese e o roteirista Paul Schrader (o mesmo de Taxi Driver) a ler a autobiografia de Jake La Motta, um ítalo-americano campeão de boxe peso médio que havia vencido umas quantas lutas e decaído na mesma velocidade com a qual ficou famoso. O material, aparentemente insosso e cansativo, rendeu ao trio um dos melhores filmes de italianos de todos os tempos.

Embora não haja nenhuma grande corporação mafiosa envolvida na ascensão ou queda de La Motta, o filme fez sucesso por retratar como um grande atleta de boxe levou uma vida de autodestruição, tratando a família e os amigos com a mesma raiva e violência verbal que usava dentro dos ringues.

Passado em 1964 e filmado inteiramente em branco & preto, Touro Indomável tem uma eficiência narrativa impressionante – apesar das mais de duas horas de filme –, que jamais esgota as possibilidades de sucesso e fracasso do personagem principal. O grande êxito do longa, no entanto, não é o boxe em si – que, muito pelo contrário, fica relegado a segundo plano. É um filme muito mais profundo sobre a alma humana.

Para o papel, De Niro ganhou cerca de 27 kgs e aprendeu a lutar boxe de verdade, dispensando dublês. Sua atuação, altamente elogiada, tem motivos: visceral e explosivo, seu Jake La Motta é um personagem extremamente complexo, que demonstra brutalidade com tudo e todos ao seu redor, quando o que realmente deseja é o amor, compreensão e companheirismo daqueles que o cercam. Demonstrando, por vezes, uma fragilidade sutil por meio de olhares e gestos, o La Motta de Robert De Niro é, talvez, um de seus melhores papeis.

E, como num típico filme de Scorsese, De Niro não é a única grande estrela a brilhar. Interpretando o mal-humorado (sempre) e excêntrico irmão de La Motta, Joe Pesci foi lançado à fama como Joey, e participa de uma das cenas mais icônicas da filmografia do cineasta: quando, desconfiado e ciumentíssimo, La Motta acusa-o de ter um caso com a esposa, Vickie.

Com diálogos rápidos e certeiros – fonte da qual Tarantino certamente já bebeu – a fotografia triste e melancólica retrata a aura de depressão e miséria que envolveu a vida de La Motta. É um filme indispensável em qualquer lista, e um dos melhores da carreira do diretor.

Para celebrar esse clássico da década de 80, decidi que iria seguir a linha dos “filmes de italianos, para italianos”, como já feito aqui, aqui, aqui e aqui. O prato da vez foi minha nova especialidade: penne al limone – uma receita em parte inventada, já que uso os mesmos ingredientes que minha mãe sempre coloca nas massas com molho branco, variando aqui e ali conforme o que tenho em casa.

É a única massa que tenho vontade de comer/preparar ultimamente. Com presunto ou bacon, com ervilha ou uvas passas, o molho fica superleve, delicioso e azedinho na medida. Mas a razão pela qual repito muito a receita é porque a combinação de ingredientes é muito variável, e as várias variações (hehe) são igualmente boas.

PENNE TRICOLORE AL LIMONE

para 02 pessoas*
Tempo de preparo da massa: 8-12 minutos (dependendo da marca)
Tempo de preparo do recheio: 15 minutos
Tempo total: aprox. 25 minutos

Ingredientes

250g de penne tricolore (meio pacote)
2 caixinhas de molho branco (sempre uso este – meu favorito)
1 cebola média
1 limão taiti (ou siciliano)
2 fatias de presunto (ou bacon)
¾ lata de ervilha
um punhado de uvas passas (opcional)
queijo ralado

Modo de preparo

Em uma panela grande, separe a água para o macarrão e leve a fogo alto.

Enquanto isso, prepare o molho. Corte a cebola em cubinhos e refogue com um fio de azeite em uma panela média. Quando a cebola estiver transparente, acrescente o presunto ou bacon e deixe fritar bem. Depois, adicione as duas caixinhas de molho branco e deixe ferver. Se quiser, acrescente um punhado de queijo ralado.

A essa altura, a água já deve ter fervido: acrescente o macarrão e fique de olho no tempo da embalagem.

Continue com o molho: esprema o limão e mexa bem. Se achar que é pouco, corte mais uma metade (mas sempre foi suficiente para mim). Por fim, coloque as ervilhas e/ou uvas passas e deixe o molho descansar em fogo baixo, mexendo sempre para não queimar.

Quando o macarrão estiver al dente (cozida, porém um pouco durinha), desligue o fogo do molho, escorra a massa e incorpore ao molho, mexendo com cuidado para não destruir os ingredientes.

Sirva quente com queijo ralado por cima e uma taça de vinho 🙂

*para 4 pessoas use 500g de penne tricolore, 1 cebola grande, 1 limão e meio, 4 caixinhas de molho, 4 fatias de presunto ou bacon, uma lata inteira de ervilha e um punhado maior de uvas 😛

Beijos, e até o próximo post!
🙂

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