Muffins de aveia com abobrinha e couve-flor | Django Livre

Estive muito ocupada esses últimos dias (e fins de semana) e por isso o Mesa em Cena tem um hiato de quase 15 dias de publicação. Isso tudo porque ganhei um cliente novo na agência e – sabem como é – a gente tem de mostrar serviço no começo. E foi nessa vibe da correria do dia a dia que resolvi adaptar uma receita facílima, rápida e deliciosa para um filme igualmente bom.

Bom, na realidade, é um impropério, para o tanto que esse filme é sensacional. Ainda mais porque vem de uma safra de filmes impressionantes do mestre Quentin Tarantino. E como faz tempo que não falo do diretor por aqui, nada mais justo do que falar de um dos melhores filmes de “velho-oeste” de todos os tempos.

Entre aspas pois Django Livre não é o exemplar mais fiel do faroeste, já que a história se centra no personagem-título, um escravo fugido no Texas – o estado mais escravista dos Estados Unidos – em plena pré-guerra civil americana. Comprado e alforriado pelo caçador de recompensas Dr. King Schultz, o escravo Django “Freeman” (que fica sendo, ao mesmo tempo, sobrenome e apelido) tem um passado marcado por torturas, abusos e uma fuga malsucedida, na qual ele e sua mulher são punidos com a separação. A oferta de Schultz é que Django lhe ajude a capturar uns bandidos em troca de localizar o paradeiro de sua esposa, Brunhilde Von Shaft (!!).

Misturando todos os elementos que o consagraram (diálogos brilhantes, uma trilha sonora excepcional, fotografia incrível, design de som impecável etc.), girando em torno de um tema comum à sua filmografia (a vingança), o diretor conseguiu produzir uma obra-prima. O cinema do absurdo de Tarantino, aqui exibido em sua forma plena e mais evoluída, mistura violência desenfreada com toques de humor inigualáveis – o dente balançando em cima da carroça de Schultz arrancou risadas em todas as aparições, mesmo sendo um objeto inanimado – e ainda homenageando filmes que o próprio cineasta venera.

Fica evidente a paixão de Tarantino por alguns clássicos do western spaghetti: famosas melodias de Ennio Morricone, paisagens que lembram aquelas de Sergio Leone e até mesmo o personagem do Dr. Schultz tem um quê do Clint Eastwood do velho-oeste, mesclando, sabedoria, boa educação e sangue frio.

O mérito do cineasta está, contudo, em fazer uma mescla inteligente de todos esses elementos, onde nomes como Siegfried e Brunhilde (provenientes da lenda nórdica) apareçam lado a lado com um personagem como Django sem destoar – ao contrário: fazendo muito sentido. Ainda que a película seja uma espécie de paródia (é Tarantino, afinal), a dureza da escravidão e dos proprietários de terra sulistas é exposta de maneira explícita, sem esconder o terror que os negros viveram naquela época.

Alguns momentos brutais – como a da luta dos mandingos ou a de um escravo com os cachorros – são absolutamente verdadeiros e igualmente tristes. Para suavizar essas cenas mais chocantes, Tarantino intercala com outras de absoluta genialidade: é noite, e um grupo de cavaleiros encapuzados a lá Ku Klux Klan desce uma encosta com tochas nas mãos, gritando quais animais, e embalados por uma trilha sonora que, não coincidentemente, lembra a Cavalgada das Valquíras, de Richard Wagner. A cena seguinte mostra esse grupo de cavaleiros discutindo sobre a deficiência do tal capuz, como se fosse uma cena tirada de um dos filmes do Monty Python.

O diretor tem a oportunidade de inserir alguns elementos característicos de seus filmes, como os letreiros (iniciais, um corte com uma explicação acerca do paradeiro dos personagens e outro letreiro de Mississipi que, tal qual o rio, flui de maneira elegante pela tela), a estética sempre apurada de alguém que entende muito de cinema (o sangue voando nas flores brancas, estilo O Tigre e o Dragão), a inserção de vários idiomas em um filme passado em um único lugar, ou a cena final, que mais lembra os últimos momentos de Scarface – tudo compactados em um roteiro redondo e sem falhas.

Mas se o cineasta pode aproveitar essas chances, ele também dá a enorme oportunidade aos seus atores de expressarem os personagens da maneira mais visceral que puderem. Escolher um melhor ator entre os ali selecionados é complicado, especialmente Waltz, sempre ótimo, e Leonardo DiCaprio, que vem crescendo de maneira ascendente há muito tempo.

A surpresa fica por conta do personagem de Samuel L. Jackson, que de um momento para o outro deixa de ser uma figura submissa a Calvin Candie e assume um papel muito mais ativo do que qualquer um ali poderia imaginar – e a cena na qual os dois se encontram sozinhos na biblioteca é magnífica. Bem, não é à toa que o próprio Tarantino, em uma entrevista, tenha dito que este era “o Monte Everest” da sua carreira. Concordo 100%, Quentin.

Para homenagear tanto diretor quanto esse filme magnífico, decidi fazer uma fornada de muffins de aveia com abobrinha e couve-flor. A ideia foi fazer um paralelo com as fazendas, usando ingredientes orgânicos e mais naturais. Por isso, os muffins não levam farinha branca – e são super lights!

A surpresa fica por conta do personagem de Samuel L. Jackson, que de um momento para o outro deixa de ser uma figura submissa a Calvin Candie e assume um papel muito mais ativo do que qualquer um ali poderia imaginar – e a cena na qual os dois se encontram sozinhos na biblioteca é magnífica. Bem, não é à toa que o próprio Tarantino, em uma entrevista, tenha dito que este era “o Monte Everest” da sua carreira. Concordo 100%, Quentin.

Para homenagear tanto diretor quanto esse filme magnífico, decidi fazer uma fornada de muffins de aveia com abobrinha e couve-flor. A ideia foi fazer um paralelo com as fazendas, usando ingredientes orgânicos e mais naturais. Por isso, os muffins não levam farinha branca – e são super lights!

MUFFINS DE AVEIA COM ABOBRINHA E COUVE-FLOR

rende 10-12 muffins
Tempo de preparo: 30 minutos
Tempo de forno: 40 minutos
Tempo total: 1h10

Ingredientes

½ abobrinha italiana
1 xícara de couve-flor picada
2 ovos
1 cebola
½ xícara de queijo ralado
½ xícara de aveia em flocos
sal

Modo de preparo

Comece cozinhando a couve-flor em água com sal. Enquanto esfria, pré-aqueça o forno a 170º e descasque a abobrinha ainda crua e rale-a. Coloque os legumes em um pote e misture com a aveia, os ovos, o queijo e a cebola. Tempere com sal.

Separe forminhas de muffin e unte-as com azeite. As minhas eram de teflon, e eu untei com um pincel para dar um gostinho.

Preencha as forminhas com massa até o topo e leve para assar por 40 minutos. Retire as formas do forno e deixe esfriar um pouco antes de desenformar os muffins.

Devore-os sem dó nem piedade, pois são deliciosos, leves e ficam super crocantes por causa do queijo.

Beijos, e até o próximo post!
🙂

Receita via I Could Kill For Dessert

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2 comentários sobre “Muffins de aveia com abobrinha e couve-flor | Django Livre

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