Sanduíche de aspargos, cream cheese e ovo frito | A Origem

Quando Christopher Nolan entrou na mídia com a trilogia do super-herói Batman – considerada a primeira a tratar os heróis de histórias em quadrinhos com sobriedade e levando às telonas um conteúdo mais maduro – seu nome se tornou instantaneamente uma referência em Hollywood. Eu, que pouca coisa tinha ouvido falar sobre sua cinematografia até então, passei a acompanhar os filmes de sua produtora, a Syncopy Inc.

Desde o iniciante Following, passando pelo excelente thriller psicológico Amnésia até os menos falados (porém igualmente bons) Insônia e O Grande Truque, Nolan demonstrou uma capacidade de, mais do que apenas cativar seu público, de criar histórias bem elaboradas com personagens intensos e dramáticos.

Não que tudo isso não faça parte da indústria de blockbusters dos estúdios americanos, mas Nolan parece ser um ponto fora da curva ao contar com a colaboração de parte de sua família – sua esposa, Emma, é produtora, e o irmão, Jonathan, é roteirista – e, é claro, ao financiar grande parte (senão toda ela) de suas produções. Ele é hype por uma razão.

E é por isso que hoje falo de seu penúltimo filme, A Origem, um excelente exercício de estética e um dos melhores filmes de ficção científica da década. Um acerto do começo ao fim, foi a primeira vez desde o primeiro Matrix que um filme se propunha a ir tão longe nos limites de sua própria ficção, mergulhando em seus personagens de forma literal. Com uma trama extremamente complexa e cíclica, Nolan estabelece os paradoxos para o universo do filme logo na primeira cena.

Don Cobb – Leonardo DiCaprio, cada vez melhor – é o líder de uma equipe de ladrões de sonhos. Por meio de conexões físicas e reais, o objetivo da extração de sonhos é entrar na mente de alguém e de lá tirar alguma ideia ou segredo valioso. O mais importante: sem que essa pessoa jamais saiba que foi roubada. Ao lado do parceiro, Arthur, Cobb é contratado pelo bilionário Saito para uma missão diferente: implantar na mente do herdeiro de seu maior concorrente uma ideia nova (a de dividir a empresa do pai para que a empresa de Saito tivesse acesso à hegemonia do mercado).

Para tal tarefa, Cobb conta com a ajuda de outros especialistas: Ariadne, uma jovem estudante de arquitetura que projeta os cenários dos sonhos – e que, curiosamente, leva o mesmo nome da personagem de um importante mito grego; Yusuf, capaz de produzir fortes sedativos de modo que os ladrões possam atingir várias camadas de sonhos; e Eames, um falsificador capaz de assumir a aparência de outras pessoas. Os ladrões não contavam, contudo, com a onipresente Mal, ex-mulher de Cobb, cuja história está envolta em mistério e significa risco para o plano final – o qual só descobrimos aos poucos, ao longo da projeção.

É impossível contar a história do filme de maneira linear, já que cada cena parece um sonho dentro um sonho (muitas vezes, dentro de outro sonho). Contando com uma linguagem onírica apropriada, Nolan utiliza recursos inteligentes para tornar aquele universo plausível e compreensível. Assim, para que uma pessoa acorde de um sonho, ela precisa de um “chute” – um movimento brusco daqueles que sentimos quando parece que pulamos ou caímos inesperadamente dentro do sonho ou, até mesmo, morrer.

Além disso, o sonhador é o arquiteto de seu próprio sonho. Ele é responsável, portanto, por construir o ambiente de cada sonho, os personagens “secundários” e, se algo lhe acontece, prontamente aquele mundo começa a ruir. Assim, é extremamente interessante encontrar elementos da vida real nos sonhos dos personagens. Um exemplo: quando aquele que está ambientando a equipe em seu sonho sente a súbita vontade de ir ao banheiro, seu mundo aparece debaixo de chuva. Também temos os agentes Smith, digo, os agentes de defesa do corpo, que sentem a presença de invasores e tentam proteger o corpo a todo custo.

O design de produção e a fotografia do longa tornaram realidade algumas arquiteturas supostamente simples, mas que escondem muita complexidade como a escadaria infinita, o limbo de Cobb e a cidade de Paris, que se dobra em cima de si mesma, em uma demonstração de estilo e efeitos visuais impecáveis. A trilha sonora do já consagrado Hans Zimmer também não fica atrás, e ele preenche com precisão cada momento com notas certeiras – e com a escolha também curiosa da música de Piaf para encenar os “chutes” de cada sonho.

Considero este filme de Nolan brilhante por diversos fatores: trilha sonora justa + história interessante + complexidade narrativa + o brilhante desfecho (que levará o montador Lee Smith a ser deificado em Hollywood). O desfecho ao qual me refiro não só dá múltiplas interpretações – que fará o espectador assistir ao filme pelo menos mais uma vez e discutir os significados do que viu durante muito tempo – como é arquitetado de maneira tão elegante e convincente que chega a provocar arrepios e sorrisos incrédulos.

Confesso que combinar qualquer comida com esse filme não foi fácil, precisei de algum tempo de meditação, mas a ideia do ovo não saía da minha cabeça. A origem de tudo, o ovo primordial, que remete a diversas cosmogonias mundo afora (da grega à nórdica, da suméria à mesopotâmica). E, como já fiz um pão com ovo no Mesa em Cena antes, achei que poderia fazer algo um pouco fora do comum.

Esse sanduíche de aspargos, cream cheese e ovo frito é perfeito, tanto para o almoço (ou janta) quanto para o filme, pois tem complexidade suficiente mas, com um pouco de atenção chega-se a uma receita simples e muito fácil de fazer. E deliciosa, deliciosa! Que combinação!

SANDUÍCHE DE ASPARGOS, CREAM CHEESE E OVO FRITO

para 01 pessoa
Tempo de preparo: 15 minutos

Ingredientes

 2 fatias de pão integral
2 colheres (sopa) cheias de cream cheese
5 aspargos verdes
1 ovo
sal
azeite

Modo de preparo

Em uma frigideira pequena, aqueça e doure as fatias de pão por ambos os lados. Espalhe o cream cheese em uma das fatias e reserve. Coloque um fio de azeite e espalhe com um pedaço de papel toalha.

Lave e corte os aspargos ao meio. Doure-os por 5 minutos e tempere-os com sal. Quando estiverem prontos, coloque-os na metade com cream cheese, apertando para que grudem bem. Feche o sanduíche.

Na mesma frigideira, coloque mais azeite para fritar o ovo. Antes que o azeite comece a ferver, coloque o ovo, tempere-o com sal e frite-o somente até começar a formar uma película branca em cima da gema. Desligue o fogo e coloque o ovo ainda quente sobre a parte de cima do sanduíche. Sirva imediatamente.

Beijos, e até o próximo post!
🙂

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