Muffins de maçã com mel e whisky | A Árvore da Vida

Será que é muita presunção da minha parte querer fazer comidinhas para assistir a um filme tão complexo, tão amado e ao mesmo tempo odiado como A Árvore da Vida? O longa de Terrence Mallick é considerado sua obra-prima no Cinema e mesmo assim dividiu opiniões. Há quem considere uma versão exagerada de cenas do Discovery Channel. Mas há também pessoas que, como eu, se sentiram profundamente tocadas com a experiência pela qual o diretor nos conduz ao longo de sua narrativa.

Escrito e dirigido pelo cineasta, o filme não tem uma cronologia evidente e, embora concentre-se em uma família dos Estados Unidos, tampouco tem uma história fixa. Jack O’Brien é o personagem que nos conduzirá, através de fragmentos de memórias, para recontar sua trajetória – e, consequentemente, a história da própria humanidade e o papel que desempenhamos no universo.

Filho do Sr. O’Brien, interpretado por Brad Pitt, e da Sra. O’Brien (Jessica Chastain, apaixonante), Jack foi criado em uma pequena cidade do Texas na década de 50 ao lado dos irmãos R. L. e Steve. Equilibrando-se entre a personalidade rígida do pai e extremamente doce, quase angelical, da mãe, Jack apresenta ao espectador o mundo sob seu ponto de vista. Acompanhamos sua descoberta da sexualidade, a culpa e os ciúmes, contextualizando as relações que ele mantém com a família com o surgimento do planeta Terra.

Um fato específico abala a família de Jack e faz com que ele questione os valores religiosos tradicionais da época. Mesmo assim, sempre em um tom contemplativo, calmo e belo. Não sou religiosa e tampouco sei se o diretor o é, mas ele certamente toca em um ponto comum a toda a humanidade: a insignificância da nossa existência. A narrativa contém passagens que não evocam Deus, mas questionam sua passividade perante às desgraças rotineiras que nos acometem o tempo todo. A inexorabilidade da morte é a maior delas.

Nesse sentido, A Árvore da Vida é mais do que apenas belo: é a história da própria complexidade humana e, ao mesmo tempo, de como nossos dilemas e preocupações cotidianos são banais perante à força inerente da Natureza. A família é apenas o ponto de partida microscópico para abordar a completude de coisas muito maiores. A pureza com que o cineasta mostra a relação de dois jovens irmãos com apenas um gesto, ou a dubiedade da relação pela qual pai e filho demonstram afeto e aversão são de uma sensibilidade ímpar.

Acredito, afinal, que este seja o mote principal da reflexão que o longa nos impõe: a maneira como um gesto físico, o toque de uma mão áspera ou gentil, pode ter tantos reflexos em nossas personalidades. E Malick indica a melancolia pela qual o amor se manifesta em diversos momentos. Nos questionamentos de Jack acerca da família, em especial da mãe, o diretor novamente mostra sentimentos viscerais e anteriores à nossa própria compreensão: “Você falou comigo antes de eu saber que a amava”, “quando foi que tocou meu coração pela primeira vez?”, “vocês estão sempre lutando dentro de mim.”

A experiência sensorial do longa é o que o torna tão especial e de difícil compreensão. Considero esse o melhor filme de todos os tempos, superando até mesmo O Poderoso Chefão. Como corresponder a algo tão sublime com algo tão físico como a comida? Não sei se existe maneira, mas a comida também pode despertar esses sentimentos tão inatos de prazer.

Por isso, decidi que focaria em algo simples e puramente delicioso, que não necessita de esforços para ser apreciado. Investi em uma receita fácil de muffins de maçã com mel e canela, daqueles que têm gosto de casa de vó.

MUFFINS DE MAÇÃ COM MEL E WHISKY

rende 12-16
Tempo de preparo: 20 minutos

Tempo de forno: 15 minutos
Tempo de esfriamento: 30 minutos
Tempo total: 1h05

Ingredientes

2 xícaras de farinha
1 xícara de açúcar
1/3 xícara de óleo
½ xícara de mel
2 ovos
2 colheres (sobremesa) de whisky
¾ colher (chá) de bicarbonato de sódio
¾ colher (chá) de fermento em pó
1 colher (chá) de sal
¼ colher (chá) de cravo em pó
1 maçã grande

Modo de preparo

Pré-aqueça o forno a 180º e unte as forminhas para muffin. Corte a maçã em cubinhos e reserve. Em uma tigela média, peneire todos os ingredientes secos. Em uma tigela grande, misture os ovos, óleo, mel e whisky.

Misture bem, e coloque os ingredientes secos. Misture até somente incorporar, de baixo para cima – a massa de muffin não pode bater demais. Adicione as maçãs cortadas e, em colheradas, distribua a massa nas forminhas.

Asse por mais ou menos 15 minutos ou até ficarem douradinhos. Faça o teste do palito – se sair limpo, está pronto. Deixe esfriar nas forminhas, desenforme e coloque em um prato. Se quiser, peneire canela ou açúcar glacê por cima antes de devorar.

Beijos, e até o próximo post!
🙂

Receita via My Name is Yeh

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