Pastel de feira | O Cheiro do Ralo

Imaginem uma loja de penhores, onde todos os objetos são abarrotados uns em cima dos outros, cujo dono – um rapaz ensebado de seus 30 e poucos anos – é um pouco pervertido, um pouco obsessivo, um pouco tímido, um pouco malandro. Alguns diriam que é o retrato do homem brasileiro moderno. Eu prefiro dizer que é uma excelente caricatura criada pelo diretor Heitor Dhalia para o filme O Cheiro do Ralo, adaptação do livro homônimo de Lourenço Mutarelli – que foi homenageado no filme dando nome ao protagonista.

Ele, por sinal, é interpretado por Selton Mello – que aparece novamente no Mesa em Cena por uma razão bastante óbvia: ele virou hype, sim, mas porque é um bom ator em um país carente de novidades. Ele faz o papel do rapaz ensebado mencionado acima, que tira proveito dos fregueses com dificuldades financeiras. É como se tudo ao seu redor estivesse à venda, inclusive as pessoas, e pelos preços mais esdrúxulos.

De maneira absurda, Lourenço cataloga as pessoas tanto quanto os objetos que elas penhoram, com um quê de sadismo frio. Essa transformação de pessoas em coisas parece não ter limites, e chega ao ápice quando o protagonista conhece uma bunda. Isso mesmo, uma bunda. Antes de ser um possível interesse romântico, a garçonete do boteco sujo é apenas a bunda perfeita, que Lourenço passa a idolatrar de maneira excessivamente bizarra.

Mas é um bizarro no bom sentido. Pois sua obsessão pela bunda cresce proporcionalmente a sua paranoia – já que, ao mesmo tempo em que se deixa levar pelos sentimentos, ele fica obcecado com um cheiro terrível que vem diretamente do ralo do banheiro de sua loja. Para superar ambos confrontos, emocional e físico, Lourenço precisa desapegar dos personagens/clientes que ele achava ter sob seu controle. Por ser tão absurdo, O Cheiro do Ralo surpreende pelos pequenos detalhes e ironias escondidas.

É um belo exemplo do Cinema nacional, e acho que vale muito a pena ser visto – e não me venham com os “ai, mas o Selton Mello tá na moda mimimi”, que não cola comigo. É bom de verdade, e o ator faz um trabalho excepcional, talvez o melhor de sua carreira – senão o melhor, certamente o mais engraçado.

Quando pensei nessa comida, achei que poderia ser um pouco ofensivo. Me dei conta, então, de que a intensão é exatamente essa. Nada melhor para representar o brasileiro do que o pastel de feira e, nada mais justo do que aproveitar esse clima “feira da fruta” do longa – escrachado, às vezes cruel, mas sempre muito engraçado – para juntar dois em um. Para quem não conhece a referência, nos anos 90 dois colegas de faculdade resolveram dublar, de improviso, um episódio do clássico Batman com Adam West, Burt Ward e César Romero, da década de 60. Só que a dublagem é completamente absurda, hilária, cheia de palavrão e frases que já se tornaram icônicas e conhecidas dos internautas brasileiros. É impossível assistir e não gargalhar. E adivinhem a musiquinha que tocava de fundo?

A receita peguei de um vídeo do Youtube, de um cara que consegue facilitar receitas complicadas e explicá-las de maneira bem didática. E ele é engraçadão, os vídeos são divertidos e tal. Enfim, é uma receita extremamente simples, que exige um mínimo de esforço: abrir a massa. O resto é facinho! Vem comigo!

PASTEL DE FEIRA

para 02 pessoas
Tempo de preparo: 1h
Tempo de fritura: 10 minutos
Tempo total: 1h10, aproximadamente

Ingredientes

3 + 1 xícaras de farinha de trigo
1 colher (chá) de sal
1 colher (sopa) de óleo
1 colher (sopa) de pinga ou cachaça
1 colher (sopa) de vinagre branco
1 xícara de água morna
300g de carne moída
½ cebola
1 tomate
lascas de queijo (usei tipo gruyère)
óleo para fritar
sal

Modo de preparo

Para começar, fazemos a carne moída. Pique bem a metade da cebola e refogue-a em uma panela grande com uma colher de azeite até ficar com aspecto transparente. Adicione a carne moída e tempere com sal e um pouquinho de pimenta negra. Deixe cozinhar até ficar bem marronzinha, tampe e reserve. Corte o tomate em cubinhos pequenos e reserve.

Em uma bacia ou tigela grande, misturar a farinha, o sal, a água morna, a cachaça, o vinagre e o óleo e misturar bem com as mãos até a massa ficar homogênea. Sove a massa por cerca de 10 minutos. Se a massa estiver grudando muito nas mãos, colocar aos poucos mais farinha, até que pare de grudar.

Deixe a massa descansar por 10 minutos. Depois, em uma superfície enfarinhada, pegue uma porção da massa e abra com um rolo (costumo passar farinha no rolo também). Abra em um retângulo de tamanho médio e recheie um dos lados com um pouco de carne moída e tomates frescos, ou queijo.

Para a massa colar bem uma na outra, passe um pouco de água nas bordas – com o dedo mesmo, sem muita frescura. Dobre a outra parte da massa sobre o recheio e pressione levemente a massa inteira, para tirar todo o ar – só cuidado para não rasgar a massa em cima do recheio. Corte as sobras e reserve. Faça isso com todas as porções de massa, recheando-as como quiser.

Cobrir uma panela grande ou frigideira funda com óleo para fritar (de canola ou girassol). Aqueça o fogo o máximo possível antes de jogar os pasteis. Eles devem entrar e sair do óleo rapidamente para não encharcar. Deixe fritar de ambos os lados até ficar douradinho. Com uma escumadeira, retire do óleo e coloque para esfriar em papel de cozinha.

E pronto! É só devorar! A massa fica crocante, saborosa, e o pastel fica superbem recheado (ao contrário de muito pastel de feira fuleiro por aí…).

Beijos, e até o próximo post!
🙂

Receita via Ana Maria Brogui

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