Risoto de caipirinha | O Som ao Redor

Futebol é um negócio que não se discute. Mudar de time é algo praticamente impensável. Em boa fase ou não, uma vez torcedor, para sempre torcedor. Clichezão, porque o futebol é passional, irracional e ilógico. A Copa do Mundo desse ano está aí para provar que muita coisa absurda pode acontecer quando a bola começa a rolar. A gente passa tanto sufoco que esquece até do próprio nome.

E se tem uma coisa que combina com futebol é caipirinha. A caipirinha, aliás, é a coadjuvante mais querida dos almoços brasileiros. Com coxinha, feijoada, vatapá ou pato no tucupi, ela reina absoluta. Diria que ela é tão fundamental quanto a farofa. Aproveitando que é Copa, é futebol, é Seleção, decidi fazer da caipirinha o personagem principal do prato de hoje – o risoto.

Para acompanhar o nosso risoto de caipirinha, decidi falar, também, de O Som Ao Redor, um dos melhores filmes brasileiros dos últimos tempos. Dirigido por Kleber Mendonça Filho, o longa aborda uma das questões mais pungentes do Brasil: a desigualdade social. Diferente, entretanto, de outros longas que se consagraram no cenário internacional – como Cidade de Deus e Tropa de Elite – este apresenta a nossa realidade com muita delicadeza. É o primeiro a falar sobre nossos problemas sem mostrar cenas de favelas sujas, meninos descalços e traficantes mal encarados; sem arquétipos, sem caricaturas. Um filme tão sutil quanto o sabor da cachaça.

A história, passada em uma vizinhança do Recife, acompanha a vida de um típico rapaz de classe média e o bairro em que mora, onde uma companhia de segurança privada se instala em uma das ruas – trazendo conforto para uns e desconfiança para outros – e de Bia, dona de casa e mãe de dois filhos, que precisa encontrar uma maneira de se livrar do latido incessante do cachorro do vizinho.

O cotidiano desses personagens, muitas vezes separados por um abismo social, é mostrado de maneira extremamente realista – talvez a mais realista que já tenha visto no cinema nacional – sem máscaras ou embelezamentos. E ao mesmo tempo em que há momentos desconfortáveis e estranhos, há também momentos divertidos. É um belíssimo retrato da nossa atual sociedade e das dicotomias que vivemos todos os dias.

Bem, sobre o risoto, achei que tinha tudo a ver com o filme. Porque, afinal, risoto não é um prato que se chamaria chique, fino (phyno), elegante etc. É água com arroz e uns temperinhos para disfarçar. Queijo, talvez. De qualquer maneira, é uma receita muito simples que hoje em dia tem um quê de sofisticação: risotto de shimeji. É a atual gourmetização do risoto. E, em certa medida, O Som ao Redor é justamente sobre isso.

A receita minha mãe que me passou. Para duas pessoas, um litro de água para cada copo de arroz. Daí é só ajustar a medida para a quantidade de pessoas que forem comer. Quanto à caipirinha, só espremer uns limões que tá tudo certo ;P

RISOTO DE CAIPIRINHA

receita para 02 pessoas
Tempo de preparo: 20 minutos

Ingredientes

1 copo de arroz (sem lavar)
1 litro de água
1 cubo de caldo de galinha
1 cebola
5 limões pequenos
1 colher (sopa) de cachaça
1 colher (sobremesa) de mel
Castanha de caju
Noz moscada
Sal a gosto

Modo de preparo

Antes de mais nada, encha um pote com água e leve ao fogo junto com o caldo de galinha, até ferver. Reserve. Corte a cebola em pedaços pequenos e aproveite para já cortar 4 limões em metades (o outro você reserva). Em uma panela tipo wok, perfeita para fazer risotos, refogue a cebola com um pouco de azeite até ficar transparente. Jogue o arroz, refogue um pouco e tempere com sal.

Jogue um pouco da água com caldo de galinha no arroz e mexa bem. Quando a água começar a evaporar, jogue mais um pouco. Esse vai ser o procedimento básico de toda a receita, até acabar a água. Claro que demora um pouco. Então, enquanto vai mexendo o arroz para não grudar, esprema as metades dos 4 limões em um copo e acrescente a cachaça e o mel.

Espere até a última parte de água começar a evaporar para acrescentar a caipirinha – para não evaporar antes de pegar o gosto. Enquanto ainda estiver fervendo, rale um pouquinho de noz moscada em cima do risoto (mas tipo, um pouquinho mesmo, sem exageros) e mexa até perceber que o risoto está grosso. Deve ficar assim mesmo. Corte umas rodelas de limão e parta algumas castanhas de caju para decorar. E devore!

Fácil, fácil, e delicioso. O limão dá um toque todo especial e dá para sentir o sabor de cada ingrediente. Nham!

Beijos, e até o próximo post!
🙂

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