Frango com laranja e mel | Laranja Mecânica

Falar de filmes muito marcantes e icônicos, como O Poderoso Chefão, Os Bons Companheiros, Pulp Fiction e Laranja Mecânica chega a ser difícil porque são filmes de que gosto muito – a maioria, acho – e existe tanta discussão por trás de suas filosofias, cinematográficas ou não, que qualquer argumento parece fraco ou só mais um. Mesmo assim, acho que vale a pena investir numa homenagem à obra-prima de Stanley Kubrick (outro tema totalmente discutível).

Baseado no livro de Anthony Burgess (que ainda não li, mas pretendo num futuro nubloso), o longa lançado em 1971 foi o 9º do diretor e o 6º de sucesso mundial – o primeiro foi Glória de Sangue, de 1960, precedido por um sucesso maior do que o outro. Para quem ainda não viu (fica a recomendação), a história está situada em uma sociedade futura, na qual grupos ultrarradicais passeiam livremente pela cidade a roubar e abusar sexualmente de suas vítimas.

O líder de um deles, os “Droogs”, é o adolescente Alex, um jovem sem escrúpulos, preocupação ou amor ao próximo – nem mesmo aos colegas do bando, dos quais não tolera rebeldia ou ameaças à sua liderança – que incentiva o uso de drogas e a deturpação dos espaços privados (suavizando um pouco aqui). Enquanto comete suas atrocidades, Alex gosta de ser acompanhado pela nona sinfonia de Beethoven – que quase ficou mais famosa por causa do filme.

As autoridades, incapazes de conter a delinquência do grupo, conseguem finalmente capturar Alex após um violento ataque a uma senhora. Condenado e preso, o jovem acredita que as duas semanas da terapia intensiva que querem submetê-lo serão moleza. O que ele não esperava, contudo, é que o brutal método de terapia fosse capaz de mudar completamente sua visão com relação ao mundo e aos outros.

Chocante, angustiante e triste, Laranja Mecânica é uma descarga de emoções. Enquanto Alex comete suas violências, nos indignamos, ao mesmo tempo em que nos divertimos com os absurdos da gangue. Já quando é preso, nada é seguro. Não sabemos como irá terminar e quais serão as consequências. E esse é um dentre os muitos méritos do longa de Kubrick. É tão impactante que vi uma única vez e ainda me lembro de cada cena.

Um filme desses pedia, portanto, uma receita clássica, infalível e incrivelmente saborosa. Por isso decidi que faria o frango com laranja da minha mãe mas, ao invés de só o suco da laranja, fiz uma caldinha da fruta com mel, para dar um sabor a mais, e temperei como a mamis sempre faz.

COMO DEVERIA TER FICADO: douradinho, com casquinha crocante e ultra saborosa.

COMO FICOU: muito bem cozidinho, com a casquinha crocante e saborosa. O frango, no entanto, precisava de um pouquinho mais de sal. Confesso que, depois de ter saído do forno, imaginei que poderia ter colocado umas rodelas de laranja e umas cebolas para enfeitar – mas daí lembrei que usei todas as laranjas que tínhamos em casa para o molho. Enfim.

FRANGO COM LARANJA

para 04-06 pessoas
Tempo de preparo: 1h10, aproximadamente

Ingredientes

6 sobrecoxas
1 dente de alho
sal
3 laranjas
1 colher (sobremesa) de mel

Modo de preparo

Se você é paranoico com gordura de carne como eu (detesto), limpe bem o frango com uma faquinha, tirando o excesso de pele. Lave-o rapidamente com água fria e separe em uma bacia. Amasse o alho, tempere com sal e, com uma colher de pau, vá incorporando os temperos. Deixe descansar por pelo menos 20 minutos.

Enquanto isso faça o molho. Esprema as laranjas e leve ao fogo com o mel por 2-3 minutos. Coloque as sobrecoxas numa bandeja e coloque um fio de óleo de canola (ou girassol) por cima de cada pedaço. Despeje o molho de laranja por cima e leve ao forno por 45 minutos, ou até que as casquinhas fiquem bem douradas.

Retire, sirva e coma imediatamente.

 

Agora, sem frescuras: a pele é a parte mais gostosa. Comendo com as mãos, de preferência. Sem medo de ser feliz.

Beijos, e até o próximo post!
🙂

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