Cookies de doce de leite com chocolate | Conversando com Mamãe

Existem filmes que assistimos e que só lembramos de tê-los visto – a ocasião, com quem ou onde não importa – e outros que lembramos exatamente do momento, das companhias, onde foi, e até que roupa estávamos vestindo. Especialmente do que sentimos. É o caso desse argentino Conversando com Mamãe. Claro que lembrar do entorno em que vi o filme é fácil porque 1) foi na minha casa 2) com a minha mãe e 3) eu estava de pijama 😛

Mas lembro de tudo e, como disse, lembro da sensação que me causou. Foi alguns anos depois da morte da minha avó materna e foi especialmente tocante justamente porque a atriz principal, China Zorrilla, me lembra muito ela. Mas muito, mesmo: na aparência, atitudes e até na personalidade. E o longa, como quase todos os longas argentinos dessa safra – ou que tenham o Eduardo Blanco – é sensível, bonito e chega a ser irreverente.

Pois conta a história de Jaime – um homem pacato que acaba de perder o emprego e está a ponto de perder a mulher, a casa e o mundinho burguês em que vive – e sua mãe (que nem chega a ter nome), uma senhorinha simpática, mas ao mesmo tempo durona e que já está ficando gagá. Para conseguir manter a casa onde mora com sua mulher e dois filhos, Jaime (Game of Thrones reference) tenta convencer sua mamá, que vive em um apartamento em seu nome, a ir morar com ele, para poder ter algum dinheiro.

Mas ela não coopera. Além de não querer sair de casa e ir morar com a nora (de quem claramente não gosta muito), ela arranjou um namorado: um mendigo (interpretado pelo ótimo Ulisses Dumont) que conheceu na rua, cheio de ideias anticapitalistas – ou, como ele mesmo diz, um “anarquista aposentado” – e sobrevive com a comida que encontra no lixo. Esses três personagens se veem obrigados a conviver em uma mesma casa, adaptando-se ao estilo totalmente diferente do outro.

Com diálogos brilhantes e uma simplicidade inerente ao cinema argentino, que conta o cotidiano de maneira divertida e inusitada, reforçada pela excelência de atuação dos três atores e sua clara conexão dentro e fora da tela. De maneira eficaz, o filme resgata diversos sentimentos do espectador, fazendo com que nos sintamos ao mesmo tempo apiedados, divertido e raivosos a respeito da tristeza da mamá, que acha que está sendo abandonada, ou da inteligência de um velhinho aposentado que vive nas ruas.

Conversando com Mamãe é, acima de tudo, uma ode ao coletivismo – em oposição ao individualismo de se querer “viver sozinho” – ao amor e à ternura. Que nos faz sentir bem com nós mesmos e que dá aquela pontinha de esperança para a raça humana. E tudo com ainda mais força pela lembrança que a China Zorrilla me traz da minha avó.

Aos leitores novos, digo que combinar doce de leite com filmes argentinos é, para mim, quase obrigatório. Primeiro, porque é uma razão a mais para comer doce de leite, coisa que faço raramente. Segundo, porque a combinação de sentimentos com sabores casa muito bem. Nem sei se eles comem tanto, mas gosto de pensar que sim. Terceiro, porque comprei esse pote de doce de leite em Monteiro Lobato, e precisava abri-lo. Porque sim. E, por fim, porque fazia muito tempo que não preparava cookies 🙂

Fazer cookies é uma habilidade que se aprende com o tempo, fazendo e refazendo fornadas. Dessa vez, decidi que iria deixar a forma na geladeira por algumas horas antes de levar ao forno. Até que funcionou, mas da próxima vez levarei a tigela inteira, antes de fazer as bolas. A receita adaptei de uns cookies de chocolate com manteiga de amendoim do Technicolor Kitchen.

COMO DEVERIAM TER FICADO: mais redondinhos e cheinhos – talvez pela mudança de consistência da manteiga de amendoim x doce de leite – e marmorizados. Crocantes por fora e macios/puxa-puxa por dentro.

COMO FICARAM: chatinhos, mas crocantes e macios/puxa-puxa por dentro. Não ficaram tão marmorizados com o chocolate (porque não ligo muito pra isso), mas deliciosos! Além disso, a receita que peguei fala que devemos misturar o doce de leite com a manteiga, logo no começo e, depois, ela faz um PS dizendo que acrescentou no fim. Então já coloquei aqui como deveria ser: no fim. E se tem uma única coisa que mudaria é a quantidade de baunilha que, para mim, ficou com um sabor forte demais.

COOKIES DE DOCE DE LEITE COM CHOCOLATE

rende 26 cookies
Tempo de preparo: 30 minutos
Tempo de espera: 2h
Tempo de forno: 10-12 minutos
Tempo total: 2h40, aproximadamente

Ingredientes

170g de chocolate meio-amargo picado grosseiramente (usei Garoto mesmo)
2 xícaras de farinha de trigo
½ colher (chá) de bicarbonato
¼ colher (chá) de sal
¾ xícara de açúcar mascavo – aperte na xícara para medir
¾ xícara de açúcar granulado
1 xícara de manteiga
1 xícara de doce de leite cremoso
2 ovos grandes
1 colheres (chá) de extrato de baunilha (coloquei duas, mas acho melhor assim)

Modo de preparo

Pique o chocolate usando um copo medidor. Derreta-o em banho-maria e, antes que a água ferva, desligue o fogo. Continue mexendo para derreter todo o chocolate e reserve, para que fique a temperatura ambiente.

Em uma tigela, peneire a farinha, o bicarbonato e o sal, e reserve. Bata a manteiga e o os açúcares até ficar cremoso. Adicione os ovos um a um e a baunilha, batendo até combinar tudo. Se for necessário, raspe as laterais da tigela com uma espátula de silicone, para misturar bem.

Junte os ingredientes secos peneirados e bata até a farinha sumir. Acrescente o doce de leite e misture bem. Adicione o chocolate derretido e mexa só para dar um efeito marmorizado – como vocês podem ver pelas fotos, eu mexi demais. Com uma colher de sorvete, faça bolas com a maça e disponha-as em uma assadeira forrada com papel manteiga, deixando o máximo de espaço entre uma e outra que puder. Em uma assadeira, coloquei 12 bolas.

Leve as formas à geladeira por pelo menos 2h. Após 1h45 de espera, pré-aqueça o forno a 150º. Após o tempo estabelecido, retire as formas da geladeira e leve diretamente ao forno, assando até os cookies ficarem douradinhos. Deixe esfriar uns minutinhos e, com uma espátula de metal, transfira-os para uma gradinha para que esfriem completamente – uso uma grade de grill para churrasco, mesmo.

Ficou com gosto de doce de leite E chocolate derretido. Sério, melhor impossível!

Beijos, e até o próximo post!

🙂

Receita via Technicolor Kitchen

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