Farofa de brie e cebolinha | Os Cabeças de Vento

Comprei um quilo de farinha pra fazer farofa, pra fazer farofa-fá… eu cantaria o resto se não fosse ofender metade dos meus amigos, porque esse era o começo de uma musiquinha que a gente cantava nos tempos de faculdade. Ah, a faculdade! Que bons tempos aqueles em que a gente fingia que estudava, os professores fingiam que não viam e mesmo assim passávamos de ano. Era isso mesmo, ou foi só comigo?

O fato é que não só de farinha e nem só de farofa trata esse post. Ele é, sim, para falar da faculdade ou, mais precisamente, daquele período de limbo que muitas vezes precede e/ou antecede o curso superior. Mas pode muito bem representar alguns casos de colégio, quando três ou mais pessoas decidem, sei lá, montar uma banda e acham que em algum momento da vida isso vai dar certo. E tudo bem, é tudo o que importa, certo? Been there, done that.

Só que as bandas que tive na vida eram bem ruinzinhas e nunca me levaram a lugar nenhum – e até agora não consigo acreditar que um dia consegui subir num (micro)palco. Ainda bem que existem alguns filmes no mundo tipo Os Cabeças de Vento, que captam ao mesmo tempo essa essência dos adolescentes rockeiros (êta palavrinha…) e a aura universitária de não conseguir dar um passo sem pedir dinheiro emprestado pros pais.

A história conta sobre três amigos que têm uma banda (óbvio) e querem fazer a fita demo tocar na principal rádio da cidade. Um deles é bonito (Chazz), o outro é malandro (Rex) e o outro é idiota (Pip). Só que como é comum acontecer, eles não conseguem nada. Nem uma resposta. Bastante frustrados, porque confiam na qualidade de sua música, o trio decide invadir a rádio para poder convencer o locutor a tocar a demo.

A estratégia para chegar ao locutor é entrar pela porta dos fundos sem ser notados. Por precaução, eles decidem levar algumas pistolas de plástico carregadas com pimenta, só para o caso de, sei lá, alguém entrar em pânico. Obviamente, nada sai como planejado, e os três são tomados como criminosos. Não vou contar mais nada da história porque acho que vale muito a pena ver o filme.

Além de ser divertidíssimo, o diretor Michael Lehmann fez uma façanha: ele juntou três atores que você nunca imaginou que pudessem contracenar: Brendan Fraser, Steve Buscemi e Adam Sandler. Ok, este último podia ter ficado de fora, mas eu finjo que ele não faz diferença para a história (sim, é um dos únicos atores que odeio). Claro que Brendan Fraser faz o papel do bonitão. Cabeludo, todo maloqueiro estiloso, ele é o vocalista/guitarrista mandão. Já Steve Buscemi, um dos meus atores favoritos, é o baixista malandro. Adam Sandler é o baterista, chato e imbecil como só ele sabe ser. Tem até uma participação do Lemmy Kilmister, do Mötorhead.

O filme é um dos primeiros exemplares do besteirol americano, mas da boa espécie. É divertido, inusitado, tem final feliz, personagens curiosos e minimamente complexos. O design de produção – que prepara os sets – também foi bem criativo, e encheu a rádio com pôsteres de bandas de tudo quanto é tipo. Mas o principal é mesmo a trilha sonora, que representa e homenageia o hard rock dos anos 80 e o glam dos anos 90, tanto nos figurinos dos atores quanto no que toca na própria rádio.

E, se tem alguém que ainda não sabe, o rock dessa época é comumente chamado de “farofa” (rá!), já que os músicos usavam mais maquiagem do que eu, mais laquê que minha avó e mais calças coladas e brilhosas do que você jamais poderia conceber em uma única peça de roupa. Não digo que é ruim: o rock farofa produziu alguns exemplares únicos dessa vertente do heavy metal, como Skid Row (aquela minha paixão da adolescência), Möltey Crüe, Mr. Big etc.

A junção da farofa da receita com o filme é, portanto, mais do que perfeita! Ainda mais porque ficou boa demais. Essa receita, por sinal, é da chef Ana Luiza Trajano, do restaurante Brasil a Gosto. E se você pensou “ih, lá vem a gourmetização da farinha de mandioca”, amigo, se liga nessa coisa fácil que é a receita!

FAROFA DE BRIE E CEBOLINHA

para 01 pessoa
Tempo de preparo: 15 minutos

Ingredientes

2 ovos
50g de farinha de mandioca
½ colher (sopa) de manteiga
2 talos de cebolinha
2 folhas de salsinha (pouquinho mesmo, só pra dar aquele gostim)
1 pedaço pequeno de queijo brie
sal

Modo de preparo

Em uma frigideira, derreta a manteiga e faça os ovos mexidos, temperando com sal (e pimenta e o que mais quiser). Acrescente a farinha de mandioca e deixe tostar um pouquinho mais. Retire do fogo, adicione um talo de cebolinha e a salsinha.

Mexa só para incorporar. Corte o queijo em cubos pequenos e acrescente o outro talo de cebolinha cortado, para decorar. Sirva e seja feliz com essa coisa magnífica.

Manteiga, essa milagreira de receitas! Bão demais!

Beijos, e até o próximo post!
🙂

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2 comentários sobre “Farofa de brie e cebolinha | Os Cabeças de Vento

    1. Hey, Tieghan, thanks for stopping by :)This is a very Brazilian type of food. If one day you ever come across this "mandioca" flour, just buy it! You won’t regret it 😉

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