Tartaletes de maçã com canela | Tristão + Isolda

A história do cavaleiro da Cornualha, Tristão, e da princesa irlandesa Isolda é, talvez, um dos poemas de cavalaria mais antigos. Até hoje de origem desconhecida, sabe-se que ficou popular no século XII, e versões em francês, inglês, norueguês, holandês, galês, espanhol, italiano, tcheco e bielorrusso foram encontradas. Algumas teorias dizem que a história dos amantes foi baseada em na história persa Vis u Ramin, do século XI, e que ela teria chegado ao ocidente por meio das Cruzadas e por ministreis que viajavam pelos campos de batalha. É, inclusive, tida como a história de amor que inspirou o romance arturiano de Lancelot e Guinevere.

Sim, é um romance, e daqueles bem tristes, de fazer cair os olhos de tanto chorar (os meus, que sou sentimentalzinha). Em 2006, Ridley Scott e seu irmão, Tony, produziram uma das tantas versões da lenda, e o resultado foi tão bonito que se tornou um dos meus filmes preferidos de romance. Eu já havia lido uma versão traduzida do inglês e, embora o filme tenha a sua própria dinâmica, não fugiu do essencial:

Quando os romanos partiram da Bretanha, deixaram um país dividido politicamente, em meio a cisões entre seus vários povos. A maior inimiga dos britânicos era a Irlanda – cujo insensível rei exigia um imposto em escravos. Em um desses embates, o cavaleiro Tristão (interpretado por James Franco) vai resgatar os cidadãos aprisionados e derrota o poderoso guerreiro irlandês Morholt, mas é também mortalmente ferido, pois o gume da espada de Morholt estava envenenado. Tido como morto pelos amigos, Tristão recebe as honras funerárias e é lançado ao mar em uma embarcação. Ele vai dar na costa da Irlanda, onde conhece a jovem e bela Bragnae, que o acolhe e salva sua vida. A curta estadia de Trisão em terras estrangeiras é suficiente para dali fazer nascer um grande amor.

Ao retornar para a Cornualha, Tristão propõe a seu tio e futuro rei, Mark (um ótimo Rufus Sewell), que se ele conseguir a filha do rei da Irlanda como prêmio de uma competição, os dois reinos estarão unidos para sempre, e haverá, enfim, paz. Tristão parte, portanto, de volta à Irlanda, na esperança de vencer o campeonato para seu tio e encontrar Bragnae. Acontece que Bragnae era a própria Isolda (Sophia Myles), que mentiu seu nome com receio do inimigo. Ela havia, assim, selado seu destino. Dada como prêmio aos ingleses, Isolda parte com Tristão para casar com Mark e tornar-se rainha da Bretanha.

No conto que tenho, os dois bebem sem querer uma poção mágica – que os livraria da culpa adúltera – e, guiados por um amor sublime e incontrolável, começam a relacionar-se em segredo. Uma das cenas mais famosas é quando Mark descobre o romance enquanto os dois dormem sob a relva. Ele finca a espada no solo e, quando acordam, Tristão e Isolda sabem que estavam fadados. Mas não é exatamente assim no filme, e foi por isso que contei. É um triângulo amoroso complicado, em que os três personagens se amam e não têm coragem de abrir mão um do outro. O fim da história é belíssimo: na lenda, os amantes morrem e, ao seu redor, crescem duas árvores (uma aveleira e uma madressilva), cujos galhos e troncos se entrelaçaram inseparavelmente.

A história é lindíssima, e muito bem contada. A fotografia é bonita, a trilha sonora, os figurinos… enfim, toda a composição é cuidadosa. E ainda há agradáveis surpresas – como Henry Cavill no papel de Melot, filho do Rei Mark, e o machão David O’Hara como o rei irlandês Donnchadh. É divertido, e um presentão para as sentimentais e choronas como eu – mas para quem é fã dos filmes de capa-e-espada também.

Para combinar, decidi aplicar meus conhecimentos recém-adquiridos com a irmã de uma grande amiga que é panificadora. A receita veio superbem a calhar. Imaginando que na Idade Média os doces eram todos feitos com frutas, pensei em tentar fazer essas tartaletes de maçã com canela e só digo uma coisa: vou ter que me acostumar a fazer mais. Ficaram simplesmente divinas! E o melhor é que são muito fáceis de fazer. Tudo que é preciso são as forminhas com fundo falso!

TARTALETES DE MAÇÃ COM CANELA

Tempo de preparo: 30 minutos
Tempo de geladeira: 30 minutos
Tempo de montagem: 30 minutos
Tempo de forno: 15-20 minutos
Tempo total: 1h45 horas

Ingredientes

Massa:
6 colheres (sopa) de açúcar
1 ovo
100g de manteiga
2 xícaras de farinha de trigo
½ colher (chá) de fermento
uma pitada de sal

Recheio:
3 maçãs
½ colher (sopa) manteiga
1 colher (chá), cheia, de canela
2 colheres (sopa) de açúcar
1 xícara de suco de laranja + 1 colher (sopa) de maisena

Creme:
120g de gemas
½ litro de leite
125g de açúcar
40g de maisena
1 colher (chá) de baunilha

Modo de preparo

Misture os ingredientes secos da massa, depois o ovo, e acrescente a manteiga aos poucos. Com as mãos, misture bem até ficar completamente homogêneo. Se a massa estiver muito grudenta, vá acrescentando farinha aos poucos, até não grudar nas mãos. Faça uma bola com a massa e coloque-a dentro de um saco plástico. Leve à geladeira por pelo menos meia hora.

Enquanto isso, faça o recheio. Descasque e corte as maçãs em cubinhos e leve ao fogo com a manteiga. Acrescente o açúcar e a canela até ferver. Em um copo separado, dissolva a maisena no suco de laranja e acrescente à panela. Mexa sem parar até engrossar – e conte até 60 depois que ferver para tirar o gosto de maisena.

Agora o creme: leve ao fogo o leite, a baunilha e o açúcar, só até começar a ferver. Misture com um fuet as gemas e a maisena até formar um líquido clarinho. Encha uma xícara de leite fervido e, com muitíssimo cuidado, despeje aos poucos sobre o ovo, batendo sem parar – isso é muuuito importante! Se não for muito devagar, o leite vai coalhar o ovo e ficar uma nojeira. Depois da primeira xícara, misture o resto do leite e leve ao fogo novamente, mexendo sem parar até engrossar.

Quando ferver, conte novamente até 60 e desligue o fogo. Cubra com uma tampa ou plástico para não endurecer. Agora sim, ligue o forno a 170º, e enfarinhe uma mesa. Com um rolo, abra pequenos pedaços de massa, o suficiente para cobrir a forma. Com delicadeza e jeitinho, vá apertando a massa no fundo da forma, cortando a massa que sobra com os dedos e ajeitando para ficar lisinho e não muito grosso.

Coloque uma colherada de creme, depois uma de recheio e, abrindo outro pedacinho de massa, corte tirinhas para colocar por cima. Não estique muito, porque a massa abre no forno e pode estragar a cara das tortinhas. Então, deixe frouxo, mesmo, meio caindo. Corte as sobras e repita o processo ad nauseum, enfarinhando a mesa sempre que precisar. Leve as tortinhas ao forno até dourar – acho que uns 20 minutos, mas pra ser sincera, nem contei.

Quando tirar do forno, deixe esfriar um pouco. Depois, só empurrar a base para cima – para tirar o aro – e deixar as tortinhas embelezando sua cozinha (ou não).

Beijos, e até o próximo post!
🙂

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