Crumble de mirtilo | Meia-Noite em Paris

O post de hoje é muito especial por vários motivos. Primeiro, porque é o último do ano. Ahhhh! É verdade. Todo mundo precisa de férias, né? E férias significam ficar de pernas pro ar, curtindo a vida e aproveitando o dolce far niente. Por isso, do dia 08/12 até 03/01 eu não farei nenhuma receita nova – mas isso não quer dizer que vou deixar de cozinhar!

Mas esse post também é um convite a todos os leitores do blog. Quem for sentir muita falta das delícias semanais (hehehe), está mais do que convidado a participar, combinando receitas com filmes. Para isso, basta deixar um comentário aqui nesse post dizendo o filme e a receita. Depois, podemos combinar por email o resto. A ideia é que os convidados sejam eles mesmos os “chefs”. Então pensem bem aí e, quem estiver afim de participar, essa é a hora!

Bem, o terceiro e último motivo desse post ser especial é pelo filme em si. Além de também ter uma temática de férias, Meia-Noite em Paris é meu filme favorito do Woody Allen de todos os tempos, e conta a história de Gil Pender, um escritor que sonha fazer romances como os de Enerst Hemingway e Scott Fitzgerald – mas é roteirista de blockbusters de Hollywood – e que está noivo de Inez, uma moça tão diferente dele como a água é do vinho.

Enquanto Inez e seus pais saem às compras, Gil, que é apaixonado pela cultura da Paris dos anos 20, perambula entre vielas e ruinhas com a cabeça nas nuvens. Mergulhado em uma crise de criatividade, uma noite Gil resolve se aventurar sozinho e descobre, sem querer, como que dobrando uma esquina, os encantos da cidade-luz. Noite após noite, Gil se encontra, como que por mágica, com os ícones da literatura, dança, artes plásticas e do cinema que foram contemporâneos na próspera década de 20. De bar em bar e de copo em copo, o protagonista se depara com figuras como Scott e Zelda Fitzferald, Cole Porter, Pablo Picasso, Gertrude Stein, Salvador Dalí, Luis Buñuel, Henri Matisse, T. S. Elliot, entre outros.

Em um desses devaneios noturnos ele conhece a bela e encantadora Adriana, com quem inicia um flerte inocente. Assim, Gil passa todas as suas noites na companhia de seus novos e ilustres amigos. É como uma viagem no tempo que nunca aconteceu de fato – ao raiar do dia, o presente sem graça do protagonista volta a ser como era. Além das sacadas geniais ao longo da película – como a dica que Gil dá a Buñuel sobre O Anjo Exterminador, ou o caso do detetive que se perde em Versalhes – Meia-Noite em Paris está recheado de momentos incríveis.

Allen conseguiu criar uma aura de poesia e encantamento, no qual todas as cenas têm um delicioso clima primaveril, enquanto passeamos por pontos famosos e escondidos da cidade, ao som de uma trilha sonora apaixonada – o jazz, é claro. Nesse filme, o cineasta embelezou Paris tal como já havia feito com Manhattan no filme homônimo de 1979. Não bastasse isso, os personagens são fantásticos e os atores melhores ainda! Como um alterego perfeito do diretor, Owen Wilson, em um arroubo de inspiração, encarna Gil Pender como um homem perspicaz, indeciso e com um quê de maluco, mas muito sensível e intenso. Há também um inspiradíssimo Adrien Brody como Salvador Dalí, e a sempre doce Marion Cotillard, como Adriana.

E, embora soe melancólico, o filme é extremamente alegre e divertido. O brilhante roteiro de Woody Allen não permite que a aura cômica seja contaminada por nostalgia, e transforma sua experiência particular em algo sintomaticamente coletivo. Difícil é não sorrir enquanto sobem os créditos finais. Eu, particularmente, choro todas as vezes que vejo – de emoção, mesmo, porque fico tocada com a sensibilidade do tema – e vejo sempre que posso.

Difícil é, também, não ficar morrendo de vontade de beliscar alguma coisinha nesse turbilhão de emoções gostosas. Por isso, a receita de hoje combina uma fruta que eu adoro e acho que é a cara da França – e já comentei isso nesse post: mirtilos. A tortinha se chama crumble porque não tem massa, só essa farofinha por cima, e é perfeita para café da manhã ou lanche da tarde. Peguei algumas medidas numa receita do Technicolor Kitchen, mas na real aprendi a fazer essa modalidade com a Marinke, uma amiga holandesa. A ela, então!

CRUMBLE DE MIRTILO

Tempo de preparo: 15 minutos
Tempo de forno: 30 minutos
Tempo total: 45 minutos

Ingredientes

150g de mirtilos
4 colheres (sopa) de açúcar
1 colher (sopa) de amido de milho (maisena)

Calda:
100g de farinha de trigo
½ barra de manteiga (dessas para cozinhar)
100g de açúcar

Modo de preparo

Pré-aqueça o forno a 200º e unte uma forma de sua preferência – escolhi a típica para fazer tortas. Em uma panela, misture os mirtilos, o açúcar e a maisena e leve ao fogo baixo. Mexa por apenas um minuto – conte na cabeça, pois é o tempo que leva para tirar o gosto de maisena. Espalhe-os sobre a forma untada e reserve.

Em uma tigela, misture a farinha, o açúcar e a manteiga e, com a ponta dos dedos, misture tudo até ficar uma farofa grossa – se estiver muito grudento, acrescente farinha; se a farofa ficar muito fina, ponha mais manteiga. Espalhe a farofa por cima dos mirtilos e leve ao forno por mais ou menos 30 minutos, ou até a cobertura dourar. Não esquente a cabeça: o mirtilo vai borbulhar e a farofa vai “afundar” um pouco, mas é normal.

Fácil e delicioso, não há como resistir nem a um, nem a outro. Se fez, me conta!

Beijos, e até ano que vem
🙂

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