Bolo cítrico de amêndoas | O Senhor dos Aneis

Sem dúvida alguma, esse foi o filme que mais vi na vida – e o livro que mais li também. Aos que me conhecem, não é novidade nenhuma que sou viciada na obra do escritor britânico J. R. R. Tolkien. Sim, já li todos os livros muito mais de uma vez e não me canso de revisitar o mundo fantástico – e irresistivelmente verossímil – que ele criou entre 1920 e 1970. Um mundo próprio, cheio de paradoxos e mistérios, com linguagens e geografias únicas, personagens fascinantes, histórias ambíguas e humanas. Assim é o universo fictício de Tolkien, que concentra seu clímax máximo na trilogia de O Senhor dos Aneis – teoricamente onde toda a fantasia acaba e onde começa o domínio dos homens na Terra-Média, que causa a mudança daquele mundo para o mundo em que hoje vivemos.

Para aqueles que não estão familiarizados com a história (leiam, é incrível!), seria muito complicado começar a falar das dezenas de criaturas fantásticas como hobbits, orcs e elfos sem criar uma enorme confusão. Mas, para a nossa sorte, o diretor neozelandês Peter Jackson resumiu os livros em três filmes magníficos que saíram entre 2001 e 2003, transpondo brilhantemente as principais ideias do autor: A Sociedade do Anel, As Duas Torres e o Retorno do Rei. Bem, e para quem tampouco viu os filmes?

Resumindo, O Senhor dos Aneis conta a história de Frodo Bolseiro, um hobbit do Condado, que herda um poderoso anel de seu tio Bilbo, e descobre, através do mago Gandalf, que precisa destruí-lo. Apesar de ter o dom de deixar invisíveis aqueles que o usam, o Anel pertence a Sauron, um antigo espírito da mesma ordem de Gandalf corrompido pela maldade. Esse espírito já foi muito poderoso mas, derrotado pelos homens há milênios antes da história atual, fugiu e se escondeu.

Somente com o Anel ele poderá voltar ao poder e “cobrir a Terra-Média em trevas”. A caminho da Montanha da Perdição, onde deve destruir o Anel, Frodo encontra amigos (como o humano Aragorn e os elfos) e inimigos (como orcs e outros humanos que são corrompidos pelo poder do Anel), trava batalhas, foge, se esconde e precisa encontrar sua coragem. Ele é ajudado pelo fiel escudeiro Samwise Gamgee e pela dúbia criatura Gollum.

Falando assim parece bobo e até óbvio, certo? Mas é exatamente isso que deixa a história tão universal e especial: conceitos tão antigos como a própria humanidade transformaram O Senhor dos Aneis numa espécie de mitologia moderna da Inglaterra. Não há exatamente um personagem principal, mas vários: todos os membros da Sociedade do Anel e alguns agregados. Nunca li nada tão assustador quanto o momento em que Frodo se dá conta da existência dos Espectros! Os filmes conseguiram passar de maneira esplêndida a alma da obra original – coisa rara quando se trata de adaptações no Cinema. E não estou falando só porque sou fã, não – bem, talvez um pouco 😛

Mas fato é que a trilogia de filmes inaugurou uma nova era nos efeitos especiais – foi a partir da Weta Digital que Peter Jackson conseguiu dar vida às criaturas da Terra-Média. A fotografia é fora de série, e as batalhas? Nunca vi nada igual. O roteiro, que atravessa os três filmes com consistência, consegue ser compreendido por quem não conhece o universo, os monstros são de uma veracidade impressionante, os personagens são bem explicados e os atores, embora muitos fossem desconhecidos (hoje já não o são, claro), convencem de maneira satisfatória. Destaque para Viggo Mortensen interpretando o herói Aragorn, Sir Ian McKellen como Gandalf e Andy Serkis como Gollum – sim, é digitalizado, mas foi o próprio ator quem deu voz e emoção ao personagem. Ah, e a trilha sonora… fabulosa! De outro mundo, realmente.

Agora, à receita: os elfos têm um pão de viagem que chamam de lembas e, embora não tenha uma definição exata nos livros – diz-se somente que tem um sabor neutro, nem doce e nem salgado, e que sustenta um homem adulto por um dia inteiro com apenas uma mordida – os estudiosos (sim, nós existimos) concordam que seja um tipo de bolo adocicado. Por isso, decidi fazer um bolinho “de viagem” em dois pedaços pequenos, com um sabor que alternasse entre o doce e o azedo.

Tirei a receita do querido Technicolor Kitchen. No original, a Patrícia comenta que precisou adicionar um pouco mais de farinha do que tinha anotado, então fui direto nessa adição, sem pensar duas vezes, e deu mega certo. Ah! A pasta de amêndoas foi o mais chato de fazer porque, como não tinha farinha de amêndoa em casa e era um domingo, tive que ralar uma porção. Apesar de ter uma coberturinha de açúcar, o bolo encaixa bem na ideia de algo facilmente transportável e deliciosamente rico em sabor. A ele, então!

BOLO CÍTRICO DE AMÊNDOAS

rende 02 bolos pequenos
Tempo de preparo da cebola: 30 minutos
Tempo de cocção: 30 minutos

Tempo total: 1h

Ingredientes

Bolo:

185g de farinha de trigo
½ colher (chá) de fermento em pó
¼ colher (chá) de sal
1 xícara ou 220g de manteiga amolecida
220g de açúcar cristal
raspas da casca de 1 limão siciliano
raspas da casca de 1 laranja
4 ovos grandes
1 colher (chá) de extrato de baunilha

Pasta de amêndoas:

100g de farinha de amêndoa
1/3 xícara de açúcar refinado
2 colheres (sopa) de manteiga amolecida
1 clara de ovo
½ colher (chá) de extrato de baunilha

Calda:

Suco de 1 limão siciliano
Suco de 1 laranja
200g de açúcar cristal

Modo de preparo

Comece com a pasta de amêndoas: se já tiver a farinha, ótimo! Se não, compre um pote de amêndoas com pele, rale (não precisa ficar perfeito) e depois bata no liquidificador para ficar bem fina. Misture com os outros ingredientes no liquidificador até ficar homogêneo e reserve.

Pré-aqueça o forno a 180º e unte uma forminha retangular pequena, forre com papel manteiga e unte o papel também. Em uma tigela, misture a farinha, o fermento e o sal. Na batedeira, bata a manteiga, o açúcar e as raspas de laranja e limão siciliano. Depois acrescente a pasta de amêndoas e bata até ficar claro e fofo. Coloque os ovos um a um, raspando a lateral da tigela quando for necessário. Por fim, acrescente a baunilha e, com uma espátula, termine de misturar levemente.

Despeje a massa na forma preparada e asse por uns 50 minutos, ou até que o bolo fiquei dourado – faça o teste do palito! Enquanto o bolo assa, faça a calda: misture todos os ingredientes em um potinho e misture bem. Retire do forno, puxe o bolo com o papel manteiga e desenforme-o assim. Despeje a calda sobre o bolo quente aos poucos – fiz furinhos com garfo para entrar melhor. Faça o mesmo com o restante da massa.

Não é fácil? Experimenta e me conta!

Beijos, e até o próximo post!
🙂

Receita adaptada do Technicolor Kitchen

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Um comentário sobre “Bolo cítrico de amêndoas | O Senhor dos Aneis

  1. Mara querida, compartilho sua admirao pelos filmes O Senhor dos Anis e Hobbit! Seu texto e as explicaes esto sensacionais! Parabns!!! Quanto a receita do bolo, pude apreci-lo no momento da preparao e na degustao!!! Delicioso!!! Novamente, Parabns!!! Tomara que eu sempre esteja perto para provar suas delcias!!! Beijos carinhosos da Rute

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