Frango xadrez | Kill Bill

Houve uma época em que todo mundo ficou meio chateado com a hypeness de Quentin Tarantino – logo depois que ele lançou o primeiro Kill Bill v. 1 – porque achava que, automaticamente, isso seria a causa da queda de qualidade de seus filmes. A dúvida, ainda que travestida de ressentimento, para mim fazia todo o sentido. Afinal, o filme anterior, Jackie Brown, é o que menos gosto de sua carreira. Mas não só o primeiro Kill Bill v. 1 foi um sucesso, como houve uma continuação brilhante – e tudo o que veio depois entrou para uma lista especial de favoritos. Hoje afirmo com certeza que a maturidade tem feito bem ao diretor.

E como os dois volumes de Kill Bill estão entre os filmes que mais assisti – e continuo assistindo sempre que posso –, resolvi fazer uma combo-homenagem, juntando ambos em um só post. Embora tenha vontade de resumir a história, acho que vale uma menção mais extensa da narrativa de cada um. O primeiro longa conta, de maneira quase a-narrativa, a vingança da Noiva, uma mulher que teve sua vida destruída por um grupo de assassinos – do qual fazia parte no passado – e, depois de despertar de um coma, resolve cobrar sua vingança.

Cenas expositivas de violência, sangue jorrando em cascata e duelos mortais de kung fu, esse Kill Bill trouxe um vigor que não se via no cinema comercial hollywoodiano há tempos. Entrecortada em capítulos – que acompanham as mortes das vítimas da Noiva – a história parece não ter começo nem fim. Claro, pois tudo isso é mostrado com detalhes no longa seguinte, no qual descobrimos a trajetória da Noiva (que na verdade se chama Beatrix Kiddo), as motivações dos assassinos, como evoluiu a relação entre essas pessoas e que culminou no fatídico incidente que mudaria a vida de todos eles.

Mais sangue, mais violência e mais cenas improváveis de luta. Misturando uma variedade de temas – filmes de kung fu do Bruce Lee da década de 70, técnicas de luta com espadas japonesas (chanbara), western spaghettis, entre outros – Tarantino criou todo um universo particular, que seria propagado, baseado em outras diversas temáticas, em seus filmes seguintes. Assim, os dois volumes de Kill Bill são itens obrigatórios para quem gosta da modernidade e sanguinolência do cineasta.

Sem contar que esses filmes têm um apelo para mim: o surrealismo. Sou fã incontestável de qualquer coisa que tenha uma pegada meio Dalí, e acho que Tarantino aprendeu direitinho com o mestre. As cenas são de uma estética maravilhosa, os diálogos atrozes e a aura do filme exala a essência tarantinesca de ser. Acho, até, que depois de Kill Bill seus filmes se voltaram ainda mais para o cinema do absurdo, mergulhando no gore – porém feitos por alguém que manja muito  de cinema – e nos extremos da ação humana.

A simples homenagem que queria para combinar com os dois filmes é um prato típico chinês, que fugisse do óbvio: frango xadrez. Segui uma receita da minha mãe – e ela mandou seguir à risca – mas, se tivesse que fazer hoje, faria um pouquinho diferente. Por exemplo: a receita manda cozinhar a carne por apenas um minuto antes de acrescentar os outros ingredientes. Eu deixaria refogar mais tempo com cebola, para dar mais gosto à carne. Troquei o salsão da receita original por salsinha e, para mim, não fez a menor diferença, porque adoro salsinha.

Também tive de colocar um pouco mais de shoyu depois que o prato ficou pronto, e talvez não devesse ter usado azeite – a receita fala para usar óleo. De qualquer maneira, o prato é complicado até a página dois: o que mais dá trabalho é cortar todos os ingredientes antes. Depois, é só mexer e refogar, mexer e refogar. Tudo muito fácil. Quer ver?

FRANGO XADREZ

para 03 pessoas
Tempo de preparo: 20 minutos
Tempo de cocção: 10 minutos

Tempo total: 30 minutos

Ingredientes

700g de peito de frango já fatiado
1 pimentão vermelho
1 pimentão amarelo
1 cebola
3 colheres de azeite ou óleo
2 ramos de salsinha (ou 1 ramo de salsão, como preferir)
2 ramos de cebolinha
1 colher (chá) de maisena
Shoyu
Sal
Amendoim sem casca para enfeitar

Modo de preparo

Corte primeiro o frango em cubos pequenos e separe. Lave e corte os dois pimentões, a cebola, a salsinha e a cebolinha, e separe. Misture a maisena em um copo com um dedinho de água, e separe. Em uma frigideira tipo wok (apropriada para fazer comida chinesa), coloque duas colheres de azeite ou óleo e deixe esquentar bem. Refogue o frango até ele começar a cozinhar, acrescente a cebola e refogue por mais um ou dois minutos.

Acrescente os pimentões, a salsinha e a cebolinha e mexa por mais 5 minutos. Depois, acrescente sal e mexa; depois o shoyu, até a misture ficar bem molhadinha e, por fim, acrescente a maisena dissolvida. Mexa mais até a mistura ficar tingida de shoyu e com caldo grosso. Desligue o fogo e acrescente um punhado de amendoins. Sirva em seguida, e decore com mais amendoins.

Falei que o mais complicado era picar todas as coisas? De resto, é moleza! E aí, quem vai fazer e me contar?

Beijos, e até o próximo post!
🙂

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