Pão de mel | Moulin Rouge

Romance, romance e mais romance, alguns sorrisos. Depois muito, muito drama. Ao final, lágrimas (as nossas, é claro). Assim é Moulin Rouge, talvez um dos filmes mais melosos que eu já vi na vida. Mas isso não faz com que seja menos bonito. É um dos meus filmes favoritos – de uma lista que não tem fim. Para quem nunca assistiu e tem curiosidade: é um musical. E, como todo musical que se preze, grande parte da história, incluindo os diálogos, é contada através de canções.

Falando assim, parece entediante e ridículo. Mas juro que não é. É um filme lindo, sensível, romântico, sim, mas cuja história envolta em músicas faz todo o sentido. Dirigido pelo australiano Baz Luhrmann – mesmo do moderninho Romeu e Julieta, do interminável Austrália e do recente O Grande Gatsby – o longa, passado em 1899, conta a história a partir da narração de Christian, um escritor e romântico inveterado, que se muda a Paris em busca de histórias divertidas sobre a virada do século. Residente do boêmio bairro de Montmartre, ele decide – regado a doses de absinto – que deveria conhecer Satine, a cortesã do cabaré Moulin Rouge, conhecida em toda cidade por sua incrível beleza. Apesar de se apaixonar perdidamente por Satine, Christian tem um rival poderoso: o Duque, patrono do cabaré e grande financiador de um espetáculo que pode mudar a vida da prostituta para algo melhor.

Entre triângulos amorosos, canções ora tristes, ora divertidíssimas, a narrativa é extremamente cativante. Seja pela força do amor que une os personagens ou pela dificuldade em levá-lo adiante, Moulin Rouge é uma ode a esse sentimento e uma belíssima fábula sobre relacionamentos.  Além disso, a ambientação do filme é um espetáculo a parte: cenários extravagantes, com toques teatrais, como se o diretor nos lembrasse a todo o momento que aquilo que vemos é apenas uma peça de teatro – criando, inclusive, uma metalinguagem interessante com um dos acontecimentos da narrativa.

Os atores não poderiam estar mais de acordo: Ewan McGregor e Nicole Kidman têm uma química incrível em cena, e são ajudados por um elenco de apoio fantástico – John Leguizamo, Jim Broadbent e Richard Roxburgh. Como se não bastasse, a trilha sonora é recheada de temas originais maravilhosos e clássicos da música pop que, transformados em medleys, já se tornaram verdadeiros hinos para os apaixonados – de Elton John a Queen, de David Bowie a Miles Davis, passando por Madonna, Kiss e The Police – todas modificadas para terem um ar moderno e cantadas pelos próprios atores. É das minhas trilhas sonoras favoritas de filmes, sem dúvida alguma.

Não é por nada que é um dos meus favoritos. Depois deste, e do também ótimo Chicago, não consigo pensar em nenhum musical moderno que consiga se igualar em qualidade e originalidade. Para mim, que sou uma romântica perdida e fã de fantasias – não tem como dizer que é um filme “realista” – é um daqueles que revejo sempre que posso (e canto junto, e choro e…).

Por isso, a receita que combina com esse poço de sentimentos profundos é o aclamado pão de mel. Alguns podem se perguntar o porquê, e espero que a minha resposta faça sentido: no começo, o clima de excitação e romance pede por algo doce, ainda mais se for chocolate. O meio do filme é tenso, e pede por algo que relaxe os músculos: mais chocolate. Para terminar, enquanto você estiver se debulhando em lágrimas – se for sensível como eu – nada melhor para acalmar o espírito melodramático do que: mais chocolate! Certo? Para os machos-alfa de plantão, tenho provas concretas e vivas de que Moulin Rouge não é só para mulheres. Tem muito homem por aí que gosta, mas finge não gostar – que é pra não ter de afogar as mágoas com pão de mel 😛

Bem, antes de passar a receita, devo confessar que essa foi uma pegadinha que eu preguei em mim mesma. Acho que nunca tinha passado tantas horas na cozinha para fazer uma única coisa, mas valeu a pena cada minuto gasto. Mas não se assuste, porque não é complicado. Acontece que fiz a massa em forminhas pequenas de muffin, e dessas, só tinha seis. Assim, demorei demais para conseguir assar tudo – foram cinco fornadas no total!

No fim, o mais complicado foi superfácil – rechear e cobrir. Portanto, amigos, o ideal é ter em casa sempre o dobro de forminhas para esses casos. Ah, e mais duas coisinhas: 1) a receita peguei no Technicolor Kitchen mas, como não estava completa, deduzi grande parte e inventei o resto e 2) usei um copo medidor, ao invés de xícaras, como costumo mostrar aqui.

PÃO DE MEL

faz 18 bolinhos
Tempo de preparo: 10 minutos
Tempo de cocção: 12-15 minutos
Tempo para recheio/cobertura: 20 minutos

Tempo total: 45 minutos

Ingredientes

4 ovos
220g de açúcar
150 ml de óleo
150 ml de água
150 ml de mel
360g de farinha de trigo
50g de chocolate em pó
¼ colher (chá) de noz moscada em pó
¼ colher (chá) de gengibre em pó (opcional, porque eu não curto, então não usei)
¼ colher (sopa) de bicarbonato
½ colher (sopa) de fermento em pó
1 pitada de sal
Nutella ou doce de leite para o recheio
8 barras de chocolate para a cobertura – acabei usando 5, então alguns ficaram sem a cobertura da parte de baixo. O importante é misturar chocolate ao leite com meio-amargo para não ficar muito doce: usei 4 barras de Nestlé (duas ao leite e duas meio-amarga) e 1 de Lindt (70%)

Modo de preparo

Pré-aqueça o forno a 180º. Peneire em uma tigela grande os ingredientes secos, exceto o açúcar. Misture e reserve. Depois, dilua em outra tigelinha a água, o mel e o óleo. Reserve também. Na tigela da batedeira, bata os ovos com o açúcar até formar uma massa clara e fofa. Dessa vez, resolvi peneirar as gemas, pois dizem que é isso que tira o “cheiro de ovo” das comidas – e parece que deu certo.

Com a batedeira em velocidade baixa, vá acrescentando os ingredientes secos e a misture de mel aos poucos, sempre intercalando um e outro. Depois de tudo dentro, bata em velocidade alta por mais ou menos 2 minutos. Unte as forminhas de muffin com manteiga e transfira pequenas porções de massa – só até ¾ da capacidade, já que é para ser um pão de mel pequeno. Asse por cerca de 20 minutos e faça o teste do palito: se sair sequinho, é porque já está bom.

Desenforme ainda morno, para que soltem melhor das forminhas, e coloque em um prato raso enquanto assa o resto. Espere até que todos estejam frios para rechear. Quando estiverem, prepare duas assadeiras e forre-as com papel manteiga. Com uma faquinha – usei aquelas com ponta fina –, corte os bolinhos na metade sem chegar a dividi-los por completo. Com uma pequena espátula, espalhe o recheio com cuidado e feche-o bem. Faça isso cuidadosamente (sério, porque eu destruí uns dois) com todos.

Pique o chocolate em quadradinhos – que são os das próprias barras, nem precisa picar demais – e, em uma tigela de vidro completamente limpa e seca (superimportante!), leve o chocolate ao micro-ondas de 30 em 30 segundos, sempre mexendo entre uma esquentada e outra. Quando o chocolate estiver quase totalmente derretido, faltando só alguns pequenos pedaços, mexa-o bem para dissolver o resto – chocolate derretido não pode estar muito quente!

Mergulhe o topo dos bolinhos no chocolate – usei dois palitinhos espetados no fundo para não melecar demais os dedos – e vá separando-os nas assadeiras. Quando estiverem prontos, coloque na geladeira por pelo menos meia hora. Mergulhe com cuidado o outro lado dos pães de mel no chocolate – e sem frescuras porque, no fim, a coberta de chocolate fui eu – e distribua-os novamente nas assadeiras. Leve a geladeira por no mínimo mais meia hora e retire-os antes de servir. Depois, guarde-os em potinhos herméticos – vulgo, tupperwares.

Tudo bem… não é exatamente uma receita fácil, mas só porque tem muitos detalhezinhos. Se fizerem diferente de mim – que não tinha opção a não ser assar cinco fornadas – vai ser moleza!

E aí? Alguém se anima a tentar? Depois quero saber!

Beijos, e até o próximo post!
:)­

Receita via Technicolor Kitchen

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