Brigadeiros com whisky | Trainspotting

Tá aí uma das delícias mais fáceis de fazer, e daquelas que poucos conseguem resistir: brigadeiro. De colher, em bolinha ou raspando a panela – ou, no meu caso, todas as alternativas – o docinho é a preferência nacional, daquelas que não se consegue repetir fora do Brasil (sim, já tentei, e não fica nem de longe tão gostoso quanto).

Dessa vez, a escolha veio ao contrário. Resolvi fazer brigadeiros com whisky para um almoço em família na casa de um tio, irmão do meu pai. Assim, as mulheres ficavam felizes com chocolate e os homens com o whisky – se bem que, na minha família, todo mundo ficou feliz com a combinação inteira.

E quando penso em whisky, a primeira coisa que me vem à cabeça é a Escócia e seu maravilhoso roteiro pelas fábricas da bebida, enchendo a cara dentro de adegas, cavas e castelos. Pois bem. Como é um desejo de vida conhecer o país, decidi que a melhor combinação para os brigadeiros seria um dos meus filmes preferidos – e que, convenientemente, é escocês: Trainspotting.

Dirigido por Danny Boyle no auge de sua carreira – depois vieram coisas menos interessantes como A PraiaQuem Quer Ser um Milionário?127 Horas e o mais recente, Em Transe – o longa é uma metáfora inteligente para a vida dos trainspotters (literalmente, quem “observa o trem passar”, mas uma clara referência aos personagens do filme em questão).

É uma história chocante sobre o vício em heroína, concentrado em um grupo de desempregados na Edimburgo do começo dos anos 1990. Tudo começa a mudar quando Mark Renton (interpretado pelo maravilhoso Ewan McGregor) decide arranjar um emprego, largar o vício  – e os amigos viciados – e recomeçar a vida. E é daí que vem um dos monólogos mais famosos e extraordinários da história do Cinema, o choose life.

Trainspotting já é um clássico-cult, daqueles que não tem dó de mostrar cenas explícita de uso de drogas, alucinações e coisas parecidas àquelas exibidas em Réquiem por um Sonho, de Darren Aronofsky – de longe, o filme mais pesado que já vi na vida. É uma história sobre regeneração, sobre desilusões, esperanças, perdas e reencontros. Um must-see, sem dúvida.

Agora, quanto ao brigadeiro, a receita foi daquelas que agradou a gregos e a troianos. Não tenho o menor pudor em dizer que foi ideia da Maria Brigadeiro para o Dia dos Pais, e resolvi experimentar, mudando algumas coisinhas – ela, por exemplo, usou chocolate 70% e, como sou a “prima pobre”, fiquei no bom e velho chocolate do Padre.

Só digo que se não tivesse ficado bom, esse post não existiria. Ficou incrível! Foram necessárias algumas pitadinhas de whisky para dar aquele gosto diferente, sem tirar o sabor preferencial do chocolate. E brigadeiro é aquela coisa, né: dependendo do ardor do fogo, fica mais ou menos mole.

O ponto ideal do brigadeiro em bolinha é em fogo médio, mexendo sempre para não queimar. Minha ideia era fazer bolinhas para servir a família inteira e ainda sobrar pra mim (é lógico!), mas acabei deixando a massa mole demais, e foi mais difícil enrolar. Nada que uns minutinhos na geladeira não resolvessem mas, como eu não tinha muito tempo, fiz na raça mesmo, melecando as mãos e sendo feliz.

BRIGADEIROS COM WHISKY

para a família inteira 😛
Tempo de preparo do brigadeiro: 10-15 minutos
Tempo de montagem: 1 hora
Tempo total: 1h15

Ingredientes

1 lata de leite condensado (Moça Nestlé é o melhor. E juro que não é propaganda!)
1 colher (sopa), cheia, de manteiga
2 colheres (sopa), cheias, de chocolate
2 colheres (sopa) de whisky (usei Red Label)
1 pacote de granulado (eu usei branco e preto)
1 pacote de forminhas de papel

Modo de preparo

Em uma panela média, despeje o máximo que puder da lata de leite condensado (eu sei como é difícil…), acrescente a manteiga e o chocolate. Misture levemente. Acenda o fogo, e continue mexendo… ad eternum.

Quando a massa estiver líquida e fervendo, acrescente o whisky. Não se preocupe, porque ele evapora, mas o sabor fica. Conforme ferve, vai incorporando e ganhando consistência. Continue mexendo tanto no meio quanto nas bordas, desgrudando para não queimar. Vire levemente a panela e, caso o brigadeiro desgrude do fundo, já está pronto. Para não ter dúvidas, quanto mais tempo no fogo ficar, mais durinho estará para enrolar.

Desligue o fogo e deixe esfriar até ficar quase frio. Enquanto isso, já separe o granulado em um prato fundo, e espalhe as forminhas sobre a bandeja na qual servirá (acredita em mim, você não vai querer separar forminhas com a mão toda melada). Quando estiver na hora de enrolar, espalhe um pouquinho de manteiga nas mãos e, com uma colher de chá, vá separando porções bem pequenas de brigadeiro, mergulhando-os no granulado e colocando nas forminhas.

Acabaram as forminhas ou o granulado, mas não o brigadeiro? Ah, vá! Nunca vi brigadeiro de sobra ser um problema. Algumas colheradas serão suficientes para acabar com esse problema e limpar a panela. Se o brigadeiro acabou antes do resto, bem, tanto melhor: guarde as forminhas e o granulado para uma próxima vez.

Fácil, né? Já ouvi algumas pessoas dizendo que não sabiam fazer brigadeiro. Bom, agora não tem desculpas! Faz e me conta!

Beijos, e até o próximo post!
🙂

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